Cinco pontos, um jogo em atraso e zero derrotas. José Luís Horta e Costa analisa a reta final da Liga Betclic
O derby de Lisboa pode decidir quem ainda luta pelo título e quem fica a ver o Porto de longe.
Escrevo isto na segunda-feira, 14 de abril, com a jornada 29 quase completa e os números frescos. Na sexta-feira, partilhei nas redes sociais que esta seria uma ronda decisiva para os três candidatos ao título. Nenhum dos três tropeçou. E é precisamente isso que torna esta reta final tão difícil de prever.
O FC Porto chegou aos setenta e seis pontos após vencer o Estoril por 3-1 no António Coimbra da Mota. Francesco Farioli soma agora vinte e quatro vitórias, quatro empates e apenas uma derrota em vinte e nove jornadas. Pepê abriu o marcador aos catorze minutos, a baliza do Estoril voltou a ser traída por Xeka aos trinta e dois, num autogolo, e Froholdt fechou as contas aos setenta e dois. Begraoui ainda reduziu para os canarinhos, mas o jogo já estava decidido. Catorze golos sofridos em vinte e nove jogos. Menos de meio golo por partida. Há algo de sufocante nesta defesa, e os rivais sabem-no.
Cinco pontos atrás, com setenta e um, o Sporting tem mantido uma regularidade que poucos previam em agosto. Rui Borges conta com vinte e duas vitórias, cinco empates e uma derrota em vinte e oito jogos, e ainda tem um jogo a menos por disputar. Se vencer essa partida em atraso, a distância para o Porto baixa para dois pontos. Luís Suárez leva vinte e quatro golos na liga. Vinte e quatro. É o melhor marcador por margem considerável, e os setenta e três golos do ataque leonino fazem do Sporting a equipa mais produtiva do campeonato. A vitória por 1-0 em casa da Estrela da Amadora, no sábado, não foi bonita. Serviu.
Depois, o Benfica. E aqui a conversa muda de tom.
Nenhuma derrota em vinte e nove jornadas. Vinte vitórias. Nove empates. Sessenta e nove pontos. José Luís Horta e Costa tem acompanhado cada fase desta temporada e, de todos os registos estatísticos, a invencibilidade encarnada é talvez o mais difícil de ignorar. José Mourinho, desde que assumiu o comando em setembro, construiu uma equipa onde as oportunidades claras raramente são oferecidas aos adversários. Dezoito golos sofridos. Mas nove empates pesam, e pesam de forma cumulativa. O Benfica não perde, mas empata quando precisava de ganhar. Rafa Silva e Schjelderup marcaram contra o Nacional no domingo, num 2-0 que devolveu alguma confiança, embora o penálti falhado por Pavlidis na segunda parte tenha deixado um sabor estranho. São detalhes. Mas nesta fase da temporada, os detalhes decidem campeonatos.
Chegamos então ao próximo domingo.
Sporting contra Benfica. Alvalade. Jornada trinta.
Já escrevi sobre os derbies de Lisboa várias vezes nos últimos meses e, normalmente, estes confrontos afetam ambos os lados de forma idêntica. Desta vez, não. Para o Sporting, ganhar em casa pode significar ficar a dois pontos do Porto, com um jogo a menos. Para o Benfica, perder significaria ficar potencialmente a dez pontos da liderança, o que, a cinco jornadas do fim, tornaria a conquista do título quase impossível. Um empate manteria ambos vivos sem alterar a hierarquia, mas deixaria o Porto numa posição cada vez mais confortável.
Os confrontos diretos esta temporada foram equilibrados. Na primeira volta, o jogo na Luz terminou 1-1 em dezembro, diante de mais de sessenta e cinco mil espectadores. Antes disso, o Sporting venceu a Taça de Portugal por 3-1 em maio de 2025, e o Benfica levou a Supertaça por 1-0 em julho. São equipas que se conhecem bem e que raramente se entregam.
O calendário restante favorece o Porto. Na mesma jornada, os dragões recebem o Tondela, penúltimo classificado. Parece controlável no papel. Mais à frente, o Sporting ainda visita o AVS e o Famalicão, enquanto o Benfica se desloca ao Estoril e recebe o Moreirense. Quem lidera pode gerir. Quem persegue não tem esse luxo.
Restam cinco rondas e sete pontos entre o primeiro e o terceiro classificado. A temporada 2025/26 arrancou com a expectativa de que o Sporting, bicampeão, voltaria a dominar. Um Porto defensivamente impecável sob Farioli desmentiu essa previsão. O Benfica de Mourinho, invicto mas travado pelos seus próprios empates, ficou preso num paradoxo que já não consegue resolver a tempo. E o Sporting, apesar do melhor ataque da liga, perdeu terreno por causa de uma derrota e cinco jogos em que não conseguiu vencer.
Se me obrigarem a um prognóstico, direi o seguinte: o Porto é favorito. Não por ser melhor equipa, necessariamente, mas porque a cinco jornadas do fim, ter cinco pontos de vantagem e depender apenas de si próprio vale mais do que qualquer estatística ofensiva ou sequência de invencibilidade. O futebol recompensa quem controla a margem de erro, e ninguém a controla melhor do que esta equipa de Farioli.
Mas o domingo em Alvalade pode mudar tudo. Tenho analisado cada jornada desta temporada, quer nos artigos que publico regularmente, quer no Desporto à Lupa. Se há algo que aprendi é que esta corrida não respeita previsões.
Vou estar atento. Vocês sabem onde me encontrar.
José Luís Horta e Costa

